ACHADO CURIOSO
Huis aan de Drie Grachten
Uma casa de 1610 com um canal em três lados, um dos cantos mais fotografados cujo nome ninguém sabe.
Uma casa virada para três canais
A maioria das casas de canal de Amesterdão mostra-lhe uma só fachada e guarda o resto para si. Esta mostra-lhe três. A Huis aan de Drie Grachten fica na ponta sudeste do Wallen, onde a água se divide à sua volta. O lado sul dá para o Grimburgwal. O lado oeste dá para o Oudezijds Voorburgwal. O lado leste dá para o Oudezijds Achterburgwal.
A morada é Oudezijds Voorburgwal 249. Talvez já tenha visto a casa em fotografias deste canto do centro antigo sem saber como se chama. Vale a pena um pequeno passeio, porque dá para ler o edifício inteiro em poucos minutos, e a história por trás dele é melhor do que o postal.
Construída por volta de 1610, reconstruída em 1909
A casa que vê hoje data de cerca de 1610. É uma casa dupla de estilo renascentista holandês, e cada uma das três fachadas termina num frontão escalonado. Estudos arqueológicos mostraram que as partes mais antigas são ainda mais velhas, do segundo quartel do século XVI. É um rijksmonument, um monumento nacional.
Os frontões são mais recentes do que parecem. No século XVIII, os frontões escalonados originais, as janelas e o portão de entrada foram deitados abaixo. Em 1909, o arquiteto Jan de Meijer decidiu devolver à casa o aspeto do século XVII. Serviu-lhe de guia uma pintura da casa de Gerrit Berckheyde, hoje no Amsterdam Museum. Deu à casa novos frontões escalonados, janelas divididas em quatro vidros por travessas e um portão de entrada em arenito. Retirou também o que séculos de proprietários tinham acrescentado no interior. Seguiu-se um segundo restauro em 2005.
A livraria e a prateleira escondida
A melhor história daqui é discreta. Em 1936, August Aimé Balkema abriu uma livraria na casa. Durante a Segunda Guerra Mundial, a loja foi usada para imprimir e publicar poesia e outra literatura em segredo. A tipografia chamava-se Vijf Ponden Pers.
Em 2005, durante o restauro, os trabalhadores encontraram um espaço escondido por cima de uma das duas grandes lareiras do século XVII. Continha uma caixa de papéis dos anos da guerra, com manuscritos e correspondência. Pode também ter servido de esconderijo para onderduikers, pessoas escondidas dos alemães, algumas delas judias. Ninguém consegue dizê-lo com certeza.
O edifício continuou a ser livraria até 2002. Uma editora com o mesmo nome trabalhou aqui durante décadas, sobretudo com língua e literatura. A partir de 1978 publicou também uma revista sobre o escritor Multatuli. Depois de 2002, a casa voltou a ser uma habitação. Em 2024 foi feita uma miniatura dela, como uma das casinhas de azulejo azul de Delft da KLM.
O que observar
Comece por contar. Encontre os três frontões e repare que cada um tem o seu próprio contorno escalonado. Depois contorne a esquina para ver cada fachada à vez, com a água sempre à sua frente.
Olhe para as janelas. As travessas que dividem cada uma em quatro vidros pequenos fazem parte da obra de 1909, reconstruídas a partir de uma pintura. O portão de entrada em arenito também é um acrescento de 1909. A casa é uma habitação particular, por isso aprecie-a da rua e fale baixo.
Ponha-se do outro lado da água para ter a melhor vista. Verá os frontões refletidos no canal, e isso explica em boa parte por que este canto é tão fotografado.
Antes de ir
- A estação de metro Rokin fica a poucos minutos a pé. A partir daí, vá até à esquina do Grimburgwal com o Oudezijds Voorburgwal.
- É um sítio ao ar livre, sempre aberto, e ver não custa nada.
- Vá de manhã para tirar uma fotografia sem confusão. O Wallen enche-se mais tarde, ao fim do dia e à noite.
- Dê a volta completa para ver cada uma das três fachadas. A vista do outro lado da água é a melhor.
- A casa é uma habitação particular, por isso não bata à porta nem espreite pelas janelas.









