MUSEU
Nieuwe Kerk
A igreja da Praça Dam onde os monarcas holandeses são coroados, hoje palco de grandes exposições.
Uma igreja para reis e exposições
A Nieuwe Kerk fica na Praça Dam, mesmo ao lado do Palácio Real. Entre as duas corre uma rua estreita, a Mozes en Aäronstraat. Desde 1814, é nesta igreja que os monarcas holandeses são empossados. Hoje já não se celebram cultos aqui. Funciona como centro cultural, com exposições temporárias, muitas vezes sobre história e outras culturas. A grande exposição sobre o Suriname, em 2019, foi uma delas. Há também concertos de órgão.
Vale a pena a caminhada porque é duas coisas ao mesmo tempo: um palco vivo da nação e um edifício com 600 anos, que ardeu e foi reconstruído.
Igreja velha, igreja nova
Amesterdão cresceu tão depressa no final do século XIV que a sua primeira igreja paroquial, hoje chamada Oude Kerk, ficou pequena demais. Em 1408, o Bispo de Utrecht deu licença para uma segunda, daí o nome. As obras tinham começado por volta de 1380, num terreno doado por Willem Eggert, que pagou a igreja. Foi consagrada em 1409. Pode compará-la com a Oude Kerk no Red Light District, a dez minutos a pé.
A igreja foi poupada na Iconoclastia de 1566. Depois da Alteratie de 1578, quando se tornou protestante, grande parte do seu interior católico foi mesmo assim destruída.
Chegou então o dia 11 de janeiro de 1645. Uns canalizadores que trabalhavam debaixo do telhado deram início a um incêndio num dia frio e limpo, com um forte vento de nordeste. Em meia hora a igreja inteira ardia. Às três da tarde o telhado tinha desabado. Os candelabros de latão foram retirados dos escombros intactos. A igreja foi reconstruída em estilo gótico e reabriu a 10 de maio de 1648. A maior parte do que se vê no interior é posterior ao incêndio.
A torre que nunca existiu
olhe para a fachada oeste e vai reparar que não há torre. Os alicerces foram lançados em 1565, mas os planos morreram com a mudança da política da época. Em 1646 começou uma segunda tentativa, com um projeto pensado para ser mais alto do que a Domtoren de Utrecht. Em 1647 foi cravada a última das 6363 estacas. Enterrou-se, para dar sorte, uma oferta em ouro no valor de 200 florins. Seis anos depois, a cidade mandou parar as obras. A nova câmara municipal ao lado, hoje o palácio, estava a custar mais de 8 milhões de florins. O cotoco inacabado foi quase todo demolido em 1783. Só resta a base. Se quer uma torre de igreja em Amesterdão, a da Westerkerk é a que foi mesmo construída.
O que ver no interior
Comece pelo lado leste, onde ficava o altar-mor. Aqui está o túmulo do almirante Michiel de Ruyter, de Rombout Verhulst, de 1681. Perto fica o monumento a outro almirante, Jan van Galen, de 1656.
Depois olhe para cima, para o grande órgão de 1655. A caixa foi feita por Jacob van Campen. Quando Willem-Alexander e Máxima vieram receber a bênção do casamento, em 2002, as portas do órgão foram abertas como que para os abraçar. As imagens deram a volta ao mundo. O púlpito esculpido, concluído em 1664, é de Albert Vinckenbrinck.
Os vitrais contam a história real. O Vitral da Coroação, no transepto sul, é de 1898, o ano da investidura de Guilhermina. Esse dia foi filmado, e as imagens são o filme mais antigo feito em Amesterdão e nos Países Baixos. Ao longo das naves laterais estão o Vitral da Libertação, de Toon Verhoef, de 1995, e 'Een tuin van glas', de Marc Mulders, de 2005.
Por fim, procure os memoriais dos poetas Vondel e Hooft e do historiador Johan Huizinga. Cerca de dez mil pessoas foram enterradas aqui. Quase todas as sepulturas foram retiradas no restauro de 1959 a 1980. Todos os anos, a 4 de maio, realiza-se nesta igreja a cerimónia nacional de homenagem aos mortos, antes da deposição de coroas de flores no monumento lá fora, na Dam.
Antes de ir
- A igreja fica na Dam 12, ao lado do Palácio Real. Da Estação Central, é uma caminhada em linha reta de cerca de dez minutos pela Damrak.
- Veja que exposição está em cartaz antes de ir, porque muda e define o tom da visita.
- Olhe para cima e não só para a frente. As abóbadas, a caixa do órgão e os vitrais são o melhor.
- Leve um casaco. As igrejas antigas de pedra mantêm-se frescas mesmo em dias quentes.
- Vá de dia, se puder, para os vitrais mostrarem as suas cores.









